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A falta de direitos na democracia chinesa e seus perseguidos políticos Ja Ccwerecommend Lv A%3E%3C Span%3E%3Cspan%20style Credit Card We Recommend

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Wei Jingsheng? No exílio, após dez anos de prisão por ter manifestado claramente, em linguagem popular, uma aspiração geral ao que lá se chama de “a quinta modernização”, a da democracia. Hu Jia? Na prisão, deteriorado pela doença, sem tratamento, cercado por prisioneiros comuns em uma penitenciária de Pequim. Seu crime? Ter denunciado o banimento dos doentes de Aids na província de Henan e a corrupção de burocratas do partido que desviavam medicamentos dados à China por organizações humanitárias. Liu Xiaobo? Condenado a onze anos de prisão, encarcerado em um centro de detenção provisória em Pequim, ele é proibido de ler, escrever e se comunicar com seu advogado ou com Liu Xia, sua esposa. Seu crime? Ter publicado na internet a chamada Carta 08 (2008), que pedia a instauração de um Estado de Direito na China.

Os três encarnam a aspiração da sociedade chinesa, tão antiga quanto sua civilização, à dignidade política e moral. E o destino de Wei Jingsheng nos lembra também que, em 1911, um certo Sun Yat-sen, exilado na Grã-Bretanha, voltou para a China e ali proclamou a República contra o Império e foi eleito presidente, muito antes que diversas monarquias europeias seguissem o mesmo caminho. E Liu Xiaobo está impregnado tanto pelo pensamento chinês quanto pela filosofia iluminista, familiar aos intelectuais chineses há pelo menos dois séculos. E Hu Jia, budista fervoroso, nos lembra que a compaixão e a virtude também são componentes eternos da civilização chinesa. Esses três e o povo se reconhecem facilmente nessas estrofes de Lao Tsé, há mais de vinte séculos:

“São dignos do respeito do povo Aqueles que se contentam com uma vida calma e frugal”.

Frugalidade é o que mais falta à oligarquia comunista, às dinastias de burocratas do partido que dividem o poder e o dinheiro. Essa nova classe de super-ricos explora (no sentido marxista do termo) o trabalho de um bilhão de camponeses pobres: miséria econômica e destituição moral de um povo muitas vezes privado de escolas e qualquer cuidado médico. Privado também de liberdade religiosa, exceto quando se confina em locais de culto administrados pelo PC.

Não acreditem nem por um instante que o povo chinês esteja satisfeito com seu destino, nem hipnotizado pela propaganda do partido que proclama uma nova “era de ouro”. Entre internet e telefonia celular, os humildes observam continuamente os abusos de poder dos super-ricos e dos burocratas do partido no vilarejo. Todos sabem, por exemplo, que em Sichuan, onde milhares de crianças morreram em 2008 sob os escombros de escolas construídas às pressas, os burocratas levam uma boa vida, com carros de luxo comprados com fundos destinados à reconstrução.

Wei Jingsheng? “Ele não representa nada”, me dizem oficialmente em Pequim. Então como explicar que o partido interfira em seus discursos radiofônicos transmitidos pela Voice of America? Se Liu Xiaobo está “apenas intoxicado por ideias estrangeiras”, como também dizem oficialmente em Pequim, como entender que em 24 horas 10 mil pessoas tenham assinado a Carta 08 na internet, antes que ele fosse preso? O governo chinês finge se preocupar com as devastações da Aids: por que Hu Jia, o primeiro a chamar atenção para a epidemia, está preso por ter “desonrado a segurança do Estado”?

A nova China, aquela que nos seduz e nos compra, dos Jogos Olímpicos em Pequim à Expo em Xangai, nos bastidores está dividida em dois mundos. O povo, contra o partido e sua clientela, se afirma informado e rebelde. As revoltas campesinas derrubam déspotas locais; trabalhadores exigem salários decentes; migrantes se recusam a serem enviados de volta a seus vilarejos; jornalistas denunciam os oficiais corruptos; taoistas, budistas, cristãos se organizam em grupos de orações ou de caridade; universitários clamam pela democracia ou, pelo menos, pela decência dos dirigentes e pela igualdade social. Entre os dois, é verdade que uma nova classe média hesita, mas ela está à mercê da inflação que a corrói, e de uma bolha imobiliária que a arruinará.

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